Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Arquivo para o mês “junho, 2013”

Apenas espero

Meu mal é a sinceridade
Dizer o que pensa e sente
nesta vida de hoje
é correr riscos
de ser compreendido
e ser temido

Por outro lado
Pela sinceridade residir em nós
Esperamos reciprocidade
Um silêncio que conforte
Palavras verdadeiras
Sentimentos reais…

Apenas espero de vocês (agora de menos um).

Hoje é dia de luta…

“en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
noches
poemas”

(Leminski, melhores poemas, p.60)

Privilégio

Ontem me foi enviada esta palavra… Sobre o privilégio. Paro e penso. O que é? Uma extrema possibilidade que me é dada, por outro e para mais ninguém? Ou é dada para outros e não para mim?

No Dicionário Caldas Aulete, o verbete tem como significado:
1. Direito ou vantagem especial que se concede a uma ou mais pessoas, com exclusão dos outros;

3. Licença, permissão, oportunidade que só é dada a alguns.

Ter o privilégio é, portanto, ter algo que exclui, delimita uns em relação a outros – que possuem algo especial ou direto de estar em algo ou algum lugar especial.

Não, eu não quero nada especial. Nunca quis. Quero o infame, o mundano, o trivial. Mas quero bem feito. O que traz felicidade é o comum, é a rotina divertida, com risadas, com alegria. E, se possível, viver o mundano compartilhado com pessoas – estas sim – especiais (para nós).

Amo fotografia. Mas não quero apenas tirar fotos, não quero apenas conhecer espaços de cultura e beleza em que a foto se faz presente para mim. Quero o prazer da companhia para apreciar estes momentos. Não quero apenas sentar no calor escaldante, e tomar uma cerveja gelada. Quero, sim, a alegria da conversa, do sorriso sincero, das risadas fartas. Não quero nada mais, nem menos do que viver aquilo que aprecio ao lado de alguém que se disponha a isso.

Em suma, eu quero uma vida colorida, que é até previsível, como brincar em carrossel… Mas que é recheada de idas e vindas com boas parcerias. Eu quero o cheiro de café de manhã, sorriso no meio do dia e cafuné no fim de tarde (para mim e para os outros).
Isso é privilégio? É para poucos? Oportunidade de alguns?
Então o nosso mundo realmente vai mal…

01-Carrossel-pqna

As coisas que sentimos…

Ah!
As coisas que sentimos
As coisas que pensamos
As coisas que falamos

Essa distância que se impõe
Essa ausência que entristece
Essa saudades que aperta

Em um dia ensolarado,
Envolto por esculturas e jardins
Ouvindo a cidade
Deixando a arte perpassar
Lembro de ti

E, sozinha, vivendo este momento
Desperto, escrevo, liberto
Um sorriso
(e o dia segue seu rumo)

01-Praça das esculturas-pqna

(Escritos que tem data marcada: 20/06; se tivesse up date, o fim seria outro…)

Quando temos amigos

Tem um jeito meio assim
As vezes tímido
As vezes só quieto
As vezes inseguro

E se as vezes (as vezes?) parece perdido
Fora deste eixo, fora deste mundo
É para que nos lembre que ninguém tem as respostas
Todos nos desencontramos vez ou outra

Lembra sempre criança:
Carregas, dentro de ti
Uma simplicidade
Com convites inconsequentes
Risadas sinceras
E dramas modernos.

Carregas a beleza da sinceridade.
Se estás perdido, quero andar ao teu lado
Pois o caminho é bonito
A companhia agradável
E a vida, real. E as vezes até boa (quando temos amigos)

Um talvez

E tu desapareces assim…
Sem ler
Sem falar
Sem perceber

Que aguardo em silêncio
Que seguro a voz
Fingindo tranquilidade e quietude.
Comportando um mundo de possibilidades
em um abismo de insensatez!
Esperando um olhar,
um sorriso
um talvez

(escrito em 04/03/2013, mas só fez sentido postar hoje… 🙂 )

E a risada?

E a risada?
De onde vem?

– Bem lá do fundo… – diz a menina, pensativa, quase em um sussurro.

Se esconde na lembrança
Se esconde na esperança

Aguardando o momento de vir à tona
Só para brilhar

Das loucuras internas

Esse sentimento que me invade
Trucida, dilacera
Silêncio…

Do lado de fora quietude
Por dentro turbilhão
Confuso, convulso, atormentado

A segurança de um sorriso
O prazer de um abraço
A felicidade de um carinho

E por mais que estejamos
no centro de uma multidão
o vazio se faz presente
Ecoa internamente
e diz: eu quero sempre mais…

Ah! Essa inconformidade
que reside em meu corpo
Essa insanidade
que parece serena
calmarias intranquilas

E no fim, mentimos ao mundo, bem alto, em constante mantra. É para ver se acreditamos em nós mesmos e conseguimos seguir, mais um dia…

quero que se interessem por mim

(imagem retirada de: http://www.flickr.com/photos/10paezinhos/8241454336/in/set-72157606185530624)

Essa gente estranha que não olha para o céu…

Coisas lindas, soltas e mágicas que aprendemos em um curso de Astronomia… (Juntando frases aleatórias).

4% do universo é composto de matéria, 75% desta matéria é hidrogênio… Mas sabe o quê? Todo o hidrogênio que há em nós existe desde o início do universo…

O que sentimos quando nos aproximamos de alguém? Que emoção é essa, tão linda? Tão forte? Tão potente?
– Não é emoção, são nossos átomos, que se aproximam, são nossos elétrons que se repulsam, freneticamente. Isto que chamas de tato, é, de fato, repulsão… (Mas tem coisa que nos atraia mais do que algo dizendo não??).

– Você é feita de nada! E ela olha com feições de espanto com a sentença proferida… “Eu? De nada?”
Diz a lógica que átomos são grandes espaços vazios, indefinidos, um núcleo perdido em uma imensidão inexata, “nuvem” à volta, e longe, muito longe… E este montinho de vazio, junto com outros vazios, (o nada profetizado pelo professor), se aglomera, de maneiras fantásticas, lindas… Eu diria mágicas, mas estamos falando de ciência (e se magia é beleza, bem… Então vá lá: MÁGICA)… Se aglomera, se relaciona, liga, desliga… E… Bom, somos feitos de nada, mas somos também um acontecimento.
E isso não é pouco, né?
E aquela que ouviu a sentença de ser “feita de nada” sorri… Bom, sou de nada, mas sou acontecimento…

Ah… Sentimentos que aprendemos em um curso de Astronomia: Que gente estranha é essa que não olha para o céu… Que gente estranha é essa que passa uma vida sem ver a beleza das estrelas!

Navegação de Posts

Caderninho de Ideias

Pra escrever o que eu acho sobre tudo que gosto!

TROVANDO ideias

TROVANDO ideias

cozinha pra machos

todo mundo pode cozinhar

Escreva Lola Escreva

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Ecce Medicus

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Blog do Sakamoto

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

%d blogueiros gostam disto: