Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Contos da madrugada

Este conto é baseado naquelas convivências malucas que temos nessa vida, de momentos simples que se tornam grandes (e engraçadas) lembranças!

Volta e meia em nossa vida, precisamos realizar trabalhos fora de nossa cidade. Como se isso, em si, já não fosse desorganizador o suficiente do andamento do semestre, do andamento de nossa rotina, ainda temos outros percalços nestas idas e vindas…
Um dos acontecimentos normalmente “acoplados” a estas tarefas de viajar a trabalho é ter que dividir quartos com pessoas que não conhecemos, ou conhecemos pouco. Nunca tive experiências ruins relacionadas a isso. Mas é preciso reconhecer que há sempre uma boa dose de desconforto inicial, quando não dividimos quartos de hotel com amigas próximas, aquela noção mínima de etiqueta e higiene coletiva, será que nossas colegas conhecem? Suspiro… E agora? E agora?
Nunca me surpreendi, nem me arrependi. E neste final de semana não foi diferente. A fim de tornar mais em conta nossa estadia em uma cidade que ninguém estava com muita vontade de permanecer, dividimos o quarto em quatro meninas. Tudo certo, estes encontros normalmente são seguidos de conversas engraçadas, fofocas comuns, risadas estrondosas… Aqueles momentos em que ainda não se conhece as pessoas muito bem, mas também não somos meras desconhecidas, acabamos sempre tendo do que falar e coisas boas para dizer e rir.
Mas a viagem foi pesada, cansativa. Mal chegamos pela manhã e nos direcionamos direto ao espaço de trabalho. Conforme a noite vai chegando, mesmo com a conversa rolando solta, vão aquietando-se as vozes…
E assim, no meio do papo uma adormece… Outra dá boa noite… Eu e a outra professora seguimos conversando mais um pouco até que também nos despedimos.
Uma noite tranquila de sono, depois de uma viagem cansativa e longa, nos esperava. Nem mais um som paira no ar, a paz toma conta de cada segundo e tudo parece que assim permanecerá até o dia raiar…

Eis que:
ESSA CAIXA! PEGA ESSA CAIXA!!! – um grito forte irrompe o ar.
Acordo sobressaltada, sem saber direito onde estou e pensando: quem é esta, que caixa é essa?? Que horas seria? O que mesmo estava acontecendo?
E eis que vem uma resposta:
O QUÊ? O QUE ESTÁS FALANDO? O QUE É QUE ESTÁS FALANDO? – outro grito interrompendo a paz da madrugada…
Para este segundo grito, a resposta vem miudinha, com um som quase infantil e triste:
– Eu não sei, eu não sei o que estou falando!

Pronto, a paz volta a reinar no mundo de Morpheus. Consigo dormir novamente (mas ainda não sei que caixa tínhamos que pegar).

Update da história: no outro dia, quando acordamos, sem querer ainda tocar no assunto e tentando entender o que aconteceu, escutamos: Certo que falei esta noite né? Tenho a impressão de que falei hoje de noite.
Sério? Nem notamos também! 😀

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