Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Arquivo para o mês “outubro, 2013”

Observação do Céu – Parte 4

Cena 4
Um jovem casal se aproxima com seus filhos. O mais velho devia ter algo como 12 anos, o outro com 6-7 anos e um bebê de colo. Os meninos revezam-se tentando olhar a Lua, que teima em se esconder atrás de algumas nuvens. Riem, ficam felizes. Os pais observam, acham graça, interessante a ideia do projeto. Perguntam, escutam, fascinam-se… Fascinam-se eu disse? Com nossa explicação? Qual nada.
Quando a moça se aproxima do telescópio, dizendo que acha a Lua linda, mal sabia o que a esperava… Mais uma vez, nada se compara.
– Ela é linda – fala baixinho, prá si mesma, quase num sussurro – Nossa, eu não imaginava, ela é linda!
A moça segue afirmando, com um sorriso estonteante no rosto.
Vira para mim e diz: muito obrigada, nossa é linda, a Lua é muito linda.
Até agora acho que quem devia agradecer era eu…

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Foto de Alex Barbão

Observação do Céu – Parte 3

Cena 3
É geral, de Idosos de bengala (alguns com muita dificuldade de enxergar), a jovens, adultos e… Crianças!
Ah! As crianças… Os professores levantam uma por uma para que elas consigam ver no telescópio… Eu observava a cena… O professor pergunta:
– Conseguiu observar? Viu? E agora, conseguiu? – era difícil para quem segurava a criança, conseguir saber se já havia visualizado ou não. Criança no colo, concentração para deixá-la na melhor posição possível para ficar próximo ao telescópio, sem se apoiar, sem mexer em tudo, peso, suor, calor. Tudo pelo o que eu via a seguir:
Enquanto o professor segura a criança, o rosto dela fica sério, compenetrado. De repente, não mais do que de repente, se abre… Um grande, enorme, ILUMINADO sorriso.
Aquele encantamento que só quem já viu o céu pode ter… E eu dizia: sim, ela viu!
O professor coloca a criança no chão, e ela fica ao lado do telescópio, olhando Vênus no céu… Segue encantada.
– Gostaste do que viste?
– Sim tia! Muito! Quando eu for grande, vou pedir pro meu pai comprar um foguete prá mim! Eu vou dirigir foguete prá visitar o céu lá em cima. Vou visitar os planetas!
– Sério? Que legal! Vais visitar o planeta que viste hoje então?
– Sim! Vou abanar lá de cima, ver a Terra de longe e o planeta de pertinho…

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Fotografia de Alex Barbão, da observação do céu

Cultivar o mundano…

Vá!
Brilha, brilha, pois és a única estrela.
Nos ofusca pela perfeição
Se distancia com tua iluminada trajetória
De gloriosos feitos!

Leva, ao caminhar,
Tua arrogância,
Esnobe e vulgar.
Só não esqueça
Que longas jornadas
podem ser perfeitas,
Mas solitárias…

Por aqui, seguimos cultivando o mundano
Cheio de miudezas feias
Rugas, solavancos, tropeços…
Amamos cada um deles
E nos aproximamos mais por isso.
Amo todos os nossos defeitinhos incorrigíveis
E amo todos que os conhecem nos detalhes
E seguem lutando, na rotina
para que os brilhos sejam conjuntos!

vida plena

Observação do Céu – Parte 2

Continuando a Série sobre a observação do Céu

Cena 2
Muita gente na praça, sentados, olhando para nós. Ninguém se aproxima.
– Vamos lá chamar o povo?
Timidamente chega um, outro, mais outro.
– O que estás vendo? – perguntam os professores
– A Lua? Ela tá na metade! – feição de espanto!
– Não, você está vendo o planeta Vênus! Ele também tem fases, como a Lua, como nós…
– É um planeta? Eu estou vendo um planeta? [mais espanto]
Segue o diálogo entre professores e aqueles que, por espanto, encanto ou interesse (ou tudo junto misturado) resolviam entender o visto.
Onde está o Sol? Onde está Vênus? O que o Sol está iluminando? Onde estamos nós? Entendeste o motivo de Vênus estar com metade iluminada apenas?
Mais olhares de espanto e felicidade! Nada se compara com o encantamento no olhar dos outros… Nada se compara!

05

Observação do Céu

Esta semana vou postar um pouco de nossa experiência com aquilo que, neste ano, nos apaixonou e encantou… Cenas de uma noite de trabalho – trabalho??? Ternura pura! Destaquei alguns breves momentos do que considerei fantástico nesta vivência… A primeira: o nosso re-encantar 😉

Cena 1.
Montar equipamento, aprender onde cada pecinha se encaixa… Ainda tem Sol, mas bem devagarinho vai aparecendo o primeiro astro da noite: Vênus! Já sei onde aparece (nesta época – neste momento), já sei por onde esperá-lo…
Telescópios prontos, o professor já deixa tudo a postos. Nós, os professores que participaram do primeiro curso, observamos primeiro. Vemos Vênus – que está em sua fase minguante. Nos apaixonamos novamente… Tem como não amar tudo isso?
Fotografamos os momentos inciais, organização do material, sorrisos largos por estar novamente passando por esta experiência, pelas nuvens terem dado uma chance de nós conseguirmos ver tudo, pela rotação da Terra nos possibilitar ver o Sol, e também os planetas.

01 copy

Desapega!

Elogia-se o muito
Mas no fundo
Bem no recôndito
Suas esperanças seguem o mínimo
O usual, o tradicional
Casa, comida, roupa-lavada
Cama arrumada
Menina comportada
Cerveja gelada

Pois eu sigo afirmando
Ser cor-de-rosa é pouco para mim
Quero tudo
Quero mais
Todos os arco-íris
Todas as cores
Todos os amores

Eu gosto é da confusão
Do turbilhão
Da risada alta
Da piada pronta
Dos sorrisos sinceros
Do sarcasmo incontido
Da sacanagem simples
Do beijo sincero

Declara o amor à vida!
Desapegue-se da rotina,
Do padrão, do normal
Desapega! A única regra é ser feliz

até o limite da paixão
(imagem de http://10paezinhos.blog.uol.com.br/)

Ser professor: possibilitar outros modos de olhar e agir na sociedade

Hoje não é poesia… É pensamento, retomada de um texto antigo, para todos aqueles que se dedicam às belezas que o saber pode proporcionar. E mais: não se aguentam e precisam compartilhar! Parabéns professores e professoras!

Com o dia do professor aí, tenho pensado no significado dessa profissão e sua importância na sociedade. E é para (e sobre) esses profissionais que me dirijo nessa postagem, que inaugura esse blog!

Escolher essa área de atuação, em nosso país, não é fácil. Ouvi de muitas pessoas, quando fiz essa opção, que não valia a pena. Entre os motivos destaco: o baixo salário, a falta de estrutura das escolas e o desinteresse por parte de alunos, pais e sociedade. Enfim, não se pode afirmar que ser professor é uma tarefa tranqüila (mas alguma é?)! No entanto, penso ser importante ressaltar o quanto aqueles que escolheram esse caminho têm o dever de valorizá-lo.

Ir a uma sala de aula e ensinar tem um sentido mais amplo do que apenas ler livros didáticos (tratado muitas vezes como o “manual prático do professor moderno”, ao invés de “mais um recurso” a ser utilizado), ou resumir os conteúdos da universidade. No dicionário Houaiss, professor é: aquele cuja profissão é dar aulas em escola, colégio ou universidade; docente, mestre; Indivíduo muito versado ou perito em (alguma coisa).

Somente observando esses significados, já teremos subsídios para uma importante discussão: a do professor como intelectual (que é muito versado). Isto é, alguém que é definido como conhecedor de uma área e que passa adiante esse saber.

Ao olharmos a etimologia (estudo da origem das palavras) da palavra professor, encontraremos: o que se dedica a, o que cultiva; manifestar-se; afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar.

Nesse momento, defendo que ser professor é (ou deveria ser) um ato político, não no sentido partidário, mas como atuante na sociedade, como formadores dedicados de pessoas. Assim, ressalto a nossa importância como formadores que buscam (ou deveriam): assegurar conhecimento às pessoas e protestar contra o modo como o conhecimento (científico e popular) é tratado nos dias atuais.

Em consonância com essa idéia, podemos inferir sobre o significado da palavra “dar”, na expressão “dar aulas” ou “dar a conhecer”, novamente apoiando o argumento no dicionário: oferecer como presente ou brinde a. Desse modo, ser professor mostra-se como mais do que ensinar, é um ato de compartilhar, oferecer (um presente). Mas… Ensinar (ou oferecer) o quê?

Eis aí, nesse debate, a função do professor como intelectual: alguém que, situado na sociedade, busca modos de ação nas problemáticas locais, qualificando o saber cultural com o saber científico – não desconsiderando o saber popular, mas partindo das práticas sociais em que está, relacionando a ciência com a nossa vida e não com conceitos abstratos e distantes de nossa realidade. Nesse sentido, o pedagogo espanhol Jorge Larrosa, no livro Nietsche e a Educação (Ed. Autêntica), afirma que ensinar: “não é transmitir um método, um caminho a seguir, um conjunto de regras práticas mais ou menos gerais e obrigatórias a todos”. Partindo desse pressuposto, mudo a minha pergunta “ensinar o quê?” – que remete a um conjunto de conceitos universais e desvinculados da realidade – para “como ensinar e possibilitar que as pessoas aprendam a agir e a pensar, a partir dos conhecimentos que temos a oferecer?”. Dessa forma, nos remetemos à questão da aprendizagem percebendo-a como algo que não existe fora da reflexão, ou seja, não existem modos de ensinar os estudantes sem que se interrogue sobre como aquilo que falamos na escola se relaciona com suas vidas. Não para mudar ou ditar regras, costumes e valores arraigados de nossa ciência e nossa sociedade, mas para que possamos oportunizar (e a valorização do docente encontra-se nesse ponto) novas maneiras de olhar e agir – consigo e com a sociedade.

liberdade
(imagem de http://bichinhosdejardim.com.br)
*texto originalmente publicado no blog: http://nectar.bio.br/anaarnt

O que é intimidade?

Fotografias?
Pele à mostra?
Sabor preferido de sorvete?
Situações enfadonhas da infância?
Nome dos amores?
Motivos de risadas?
Motivos de rubores?
Motivos para chorar?

Em um mundo de cada vez mais visibilidades
De tanta futilidade
Um controle de moral, tolo
Brada constantemente e cala
A pele, o amor, o riso
O beijo, a lágrima, a loucura

Para os fiscais da moral e dos bons costumes:
Caminhem, prá longe, juntem-se em uma ilha deserta.
Cobertos de roupa, tristeza, jiló
Vivam abraçados (mas de longe! pode pegar mal)

Toma conta de mim
A vontade de ser feliz
Com amores distantes
Sorrisos sinceros
Alegrias incontidas
Libertem o carinho verdadeiro!
O cafuné ao dormir, o café ao acordar
Deixem prá nós, já que parece impossível a vocês, a possibilidade de inventar, criar, gozar.

O que é intimidade?
Pelo visto, é permitir e respeitar
Diversidade e felicidade!
Se a pele pede pele, por que não dar?*

individualidade
(imagem de http://10paezinhos.blog.uol.com.br)

*(a última frase é de Arnaldo Antunes)

Do Gigantismo

Olha o que aconteceu aos Grandes Impérios! Por eles se vê que a mania de grandeza é sempre fatal.
E espia só os iguanodontes , esses pesadelos ridículos…
Se fossem do tamanho de lagartixas, existiriam até hoje.
Mário QuintanaPensando_palavras_ao_vento_Mario_Quintana (A vaca e o Hipogrifo, 1977)

Ecos do pensamento

Paira no ar…
O instante
A fração de segundos
Me dou conta
Que o olhar me abraça
Que o sorriso sincero se estende
Como um convite
Como se te conhecesse há uma vida
Como se nada mais existisse
Silêncio…

Ecos do pensamento
Alguém ouviu?
Observo atenta…
Todos vivendo sua vida
Distraidamente
Disfarço, sorrio
Sigo adiante
De-va-ga-ri-nho
Quieta, efusivamente
E o dia passa sem supresas

(precisava outra?)
o mundo ainda está lá
(imagem de: http://www.flickr.com/photos/10paezinhos/)

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