Palavras ao Vento

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Arquivo para o mês “novembro, 2013”

Natureza urbana

De asas expostas
Em um raio de sol
Em um dia cinza
Cenas descobertas

Natureza urbana
Mais um dia comum
Trânsito e Barulho
Rostos Cansados
Amanhece em São Paulo
Verdes enquadrados
Carros blindados

Entre o mar de asfalto
Um outdoor vermelho
E nele: um ornamento
Enorme, estático
Naquele raio de sol
De um dia cinza
Com as asas abertas

Um grande urubu
Que mostra a vida
Que batalha na cidade de pedra
Pega sol, em silêncio
E, como nós, aguarda o novo dia

Nos misturamos no ambiente
Planejado, áspero, insípido
Resistências à urbanidade
Resiliências do que restou de vivo
Nas possibilidades do cotidiano
Aguardamos mais um dia
De desgaste, aslfato e ruído

Misturinha de gente

E a festa se fazia, com tua ausência
Mas evocando-te a todo momento
E a lua te aguardava
Há dias, ansiosa, cheia de si,
Brilhando no céu
Anunciando tua chegada

A nova pequenina
Que é uma misturinha de gente
Gente que quando sorri, brilha
Que quando chora, é de alegria
Que se aglomera num pedacinho de chão
Querendo só alcançar o vidro
E te ver

Em mensagens simples
Ecoas poesia!
Na porta do espaço vida,
No quinto andar
Miwa na janela

Uma bela harmonia
Se faz presente no corredor
É o som, inexplicável
Que evocas
Risos fartos
Falatórios múltiplos
Que ressoando concordam:
És linda!

Tudo culmina em encontros
Rápidos e fugazes
Que se fazem em perfeita sincronia
É possível saberes?
Num espaço de vida
Num instante de tempo
Num pedacinho de janela
Ali estavas, ali estávamos
Encontros que só uma pequena notável
Pode proporcionar

Rotina

A rotina que nos trucida, atropela…
A rotina esmaga pequenos acontecimentos
Devagarinho…

Mas um dia aprendemos que na rotina
Tudo acontece de novo
Mas diferente
E, desde então
A Cada dia, como rotina
Paro, olho, localizo,
Sus-pi-ro, num alívio estonteante…

Uma hora em um Estado,
Uma cidade, um aeroporto
Na pista para entrar no avião,
Já é noite
Aquela tensão no peito…
Onde estou?

Olho para o céu
Vênus num lado
Lua mais acima
Estou longe de casa
Mas já sei onde estou – e quando

Chego! Outro fuso, outro Estado
Outra cidade, outro aeroporto…
Desço do avião, olho para o céu
Sei que a Lua não está mais lá
Orion já se mostra!
Procuro Júpiter e Gêmeos,
Ainda é cedo para eles
Mas sei onde estarão, daqui a pouco

Olho para o céu para me localizar, todos os dias!
Rotina? Sim, das melhores…
Daquelas que viciam, trucidam
O tédio,
O banal,
A pequenez!
Vício em me encontrar diariamente
Nas belezas que a noite proporciona

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És?

Sorrimos juntos
De bobagens banais
Admiro, em silêncio
Se bom entendedor
Tanto bastaria

És?a vida não é leviana

Observação do céu – Parte 5

Uma senhora chega com sua neta, de braços dados e apoiada em uma bengala. Ela observa a Lua atenta, esboça um sorriso, agradece.
– Que linda a lua né? Muito bonita mesmo. Eu acho muito bonito, o céu, a Lua, os planetas. Muito bom ver isso.
Chega uma outra moça, adolescente, apoia a mão esquerda no ombro da senhora.
– Eu tenho 88 anos. Peguei um avião até Cuiabá, mais esta estrada, tudo prá ver minha bisneta (a adolescente que chegou depois).
A menina abre um sorriso e diz: – tudo isso só para me ver! Eu adoro minha bisa! – E a senhora segue:
– Por esta menina eu faço tudo, até esta viagem! Só não sabia que eu ia conhecer a Lua de pertinho também! Eu tenho 88 anos e nunca tinha visto a Lua de perto.

02 copy
Foto de Alex Barbão

Este ano

Enquanto eu praguejava aos sete ventos
Maldizia as datas, os acontecimentos
Passavam desapercebidos
Rumores e sussurros
De felicidade, de intensidade, de vida

Enquanto me apegava
Em supostos amores mal compreendidos
(e não por mim, diga-se)
Em confusões das palavras
Em broncas do dia-a-dia
Em escorregadas apontadas por outros

Deixava de lado as possibilidades…
De perceber que, aos poucos
Apaixonava-me
Por tudo aquilo que me move
Alimenta o coração
Encanta o cotidiano…

Apaixonava, disse eu? Ora essa!
Apaixono! Todos os dias um pouco mais!
Ao saber da nossa pequenez perante à vida
Na Terra, vendo o espaço, as estrelas, os planetas, mapeando o céu
No conhecimento, aprendendo o ócio, a gravidade, o riso
No amor, com amizades simples, romances fugazes, novos desconhecidos, lindos sorrisos

Apaixono, muito, no detalhe, em reuniões familiares
Reconhecendo que vamos somar, crescer
Nas notícias sobre um punhadinho de células
Que já se organiza, multiplica e é rodeado
De um sentimento antes inexistente – mas intenso e confortante.

Enquanto eu praguejava
Esvaia um pouco de mim
Instalando-se outros pesares
Mas também aquele sentimento
Que, afinal, é o que move – sempre
A inconformidade de ser e estar
E os sorrisos – novos e antigos
Estes me fazem ver que não…
O ano não foi ruim, foi – sim – ruptura
Inquietação (e as vezes silenciosa, solitária, pensativa)

E agora, quando encontro o foco
Sinto, dentro de mim
Aquela quietude que só as boas decisões possibilitam
E as vontades…
De novos encontros, sem acaso
De novas e loucas aventuras, sem riscos
De arrancar de mim, o grito que está preso
De fotografar o mundo – todos os seus recônditos pedacinhos de rocha, vida, água
Ah! As vontades de viver intensamente, inconformadamente!

Quietude alcançada nas decisões,
Mas a vida? Prefiro barulhenta…
Ah! Eu vou ser sempre essa louca, leve e plena CON-FU-SÃO

02

E teu sorriso

E teu sorriso que nunca mais vi?
Será que sabes que o aguardo em silêncio?
Ensaio conversas
Com desculpas esfarrapadas
Para boas risadas
Futuras promessas
De descontrair ao léu…
Com encontros sem acaso!
Tudo programado, estudado
De estrelas a fotografias
De abraços apertados
Vínculos antigos
E novas possibilidades

E teu sorriso que busco sempre
Na quietude do dia
Nos pequenos momentos
(só nossos?)
Será que sabes?
Será que sentes?

20131101(imagem de http://www.macanudo.com.ar)

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