Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Arquivo para o mês “março, 2014”

Mais do mesmo – I

Gente que se faz saudades
Quando diz bom dia
Tudo vira poesia

O que posso eu?

E se começas o dia
Ou terminas a noite
Visitando (minha) poesia
O que posso eu, senão sorrir?
Adoro o rastro de teu passeio
Que percebo em meu caminho
Sem esperança, com carinho
Na saudades, que saboreio

Das culpas de ser mulher

Choro por mim, por todos
Que pensam, falam, apontam
Na rua, na vida, na casa
Na rotina: modos de ser
Que culpam, diminuem, invalidam
Sujeitam a mim, a todas
A vestir isso, comer aquilo
Comportar assim, falar assado
Pois és menina, és mulher
Cor-de-rosa, comportada, delicada
Dedicada, é para casar…
Pois lava, passa, limpa, cuida
Ama, apanha, desgosta e cala

És menina? És mulher?
Pois então, desveste a pele
Da culpa, da rotina, da violência

Viva!
Abra e feche
O coração, as pernas, a razão
Quando lhe convier, quando amar, ou quiser
Vive e condene à culpa aos culpados
Liberta, e vive!

E trucida, dilacera, destroça
Com toda a elegância, delicadeza
Garra, fome e vontade
Que só uma mulher
Que anda, por onde quer
Que veste e sabe que é seu direito
Que submete a vontade
Somente a si mesma
Que pensa, diz, grita, ri
GAR-GA-LHA (alto)
É capaz.

Viva e seja feliz!

*Não há como calar frente às pesquisas divulgadas hoje sobre a culpabilização da mulher pelo estupro cotidiano e a permissividade da violência doméstica e sua possibilidade de justificativa em relação ao comportamento do homem. Não há como calar, no peito, nas vísceras… por isso, escrevo ‘esbravejadamente’, numa rabugice sem tamanho, nem vergonha… Não leu nada a respeito? Quer saber mais? Veja nas reportagens (aqui e aqui) o que foi constatado sobre como pensam homens e mulheres sobre estupro, violência doméstica e outras sandices. Veja também este blog que comenta brilhantemente o tema.*

(Quem sou? Essas aí, abaixo. Uma, mil, cada dia uma e nenhuma. Mulher: que pensa, ri, grita, chora, gargalha -e alto. Em uma montagem ego-trip da série: “vivo as inconformidades da vida, mas feliz por isso”)

Ana

 

update: entrando na campanha #eunãomereçoserestuprada

Captura de Tela 2014-03-28 às 19.46.35

Caminha…

Intensidade
Incomoda?
Perturba?
Assusta?
Confunde?
Então, meu amor,
Caminha

Se for prá ser calmo
Se for prá ser marasmo
Se for prá ser com pudor
Se for prá, enfim, sentir
Com moral ou sem amor
Caminha

Pois aqui,
Até para curtir preguiça
E passar na rede o dia
Tem que ser com vontade
Sem roteiro, mas sem apatia
Tem que ser inteiro
Com intensidade

Ou então, meu amor…

Tua casa

Venha e faça
Do meu amor
Tua casa

Veja
Se consegues
Entrar
Naquilo
Que separa
Meu mundo
Meu encanto
Do olhar
Curioso
De quem
Não merece
Conhecer
Meu amor
E faz, aí
Nosso lar,
Nossa casa.

Entre
E fique
A vontade

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Sorte na poesia

– Eu não tenho sorte no amor
Por isso, escrevo…
– Eu nem sei se tenho sorte ou não
Por isso, escrevo…

Sorte
De versos, de letras
Jogados no papel
Despejados
Por um gostar
Em um jogo
Fora de tempo
De espaço, de prumo
Em um jogo de amar
Com azar

Amor
Nem sei se tenho
A escrita? Essa sim
Com sorte, ou não
Escrevo…

Segunda poesia produzida em conjunto com Phill Souza (http://www.facebook.com/phillitnow). Diálogos em noites insones! 🙂
Ótima parceria para bons escritos.

Da série: Eu não tenho sorte no amor, por isso escrevo...

Da série: Eu não tenho sorte no amor, por isso escrevo…

Noites insones

Noites insones
Um sonambulismo
Poético
Que atravessa
Que ama
Que pulsa
Obriga a escrita

Noites insones
Quando cultivadas
Em longínquas parcerias
Se faz e se refaz
Em verso e prosa
Em um diálogo amigo
Em produção conjunta
Em ideia compartilhada

E amizade, enfim
Mesmo distante
É isso…
Roubar sorriso
Inspirar palavras
Declamar poesias
Em nossas noites insones
Em silenciosas madrugadas

Para @Phill (http://www.facebook.com/phillitnow)

o mundo ainda está lá
(imagem de http://10paezinhos.blog.uol.com.br)

À espreita

Eu vou quebrar os vidros da sua janela
Gritar, até que você abra os olhos
Enxergue: eu sempre estive aqui.

E mesmo assim,
Você escolhe sonhos
Distantes, sombrios
O escuro que está à espreita

No esforço para dormir
As pílulas, que estão no seu bolso
São as únicas que podem lhe ouvir
E estarão sempre ao seu dispor

Você se esqueceu
Mas, eu insisto em gritar
Eu sempre estive, aqui

*Poesia escrita à distância, com ótima parceria – que, sejamos justa, trouxe as linhas delineadas bem prontinhas, e eu colaborei… Mas foi colaboração em ideias já bem traçadas!!!
Phill Souza: espero que a primeira de muitas! 😀
@Phill-it (https://www.facebook.com/phillitnow)

Das faltas

Saudades é sentir falta
De ver um sorriso
De ouvir uma gargalhada
Que se solta livre
Alta, engraçada
De-sen-gon-ça-da

Saudades é a vontade
De sentir o tempo voar
Sem pesar, na preguiça
De um dia sem sol
Sem estrelas, sem luar

Saudades é sentir falta
De saber que vais passar
E curtir, em silêncio
A poesia, da noite, do dia
Do meu encanto
Pela (minha) vida
Sobre (teus) detalhes

Saudades, só, saudades

Gato sendo gato

É desses que chegam de mansinho
Fazem um charme
Ronronam baixinho
Roubam um carinho
E quando menos esperamos
Somem de repente

Só mais do mesmo

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