Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

A menina escreve

A menina escreve, escreve, escreve.
Sente muito, sente mal
Sente alívio, tristeza, leveza
Sente tudo, sente e só

O que pode fazer, senão fazer
Aquilo que sabe, pensa, sente, rumina, transborda?

O que pode senão exaurir a fala,
até que a palavra se canse,
ou o leitor a abandone?

O que fazer, então, senão
Escrever mais, ler mais,
Exaurir mais?

E sabes fazer outra coisa, Aninha?
E gostas de fazer algo mais?
E queres fazer outra coisa, menina?

Vomito letras, até formar a palavra
Abomino-as, às vezes…
Não se bastam sozinhas
Não se bastam sem endereço

Vem ao papel e remeto ao dono
As palavras não são minhas.
Nunca foram, nunca quiseram ser.
Saem de mim às pressas
Correm pelas mãos,
Impelem-me à tortura contínua
De apresentar o pensamento
E impregnar o papel
Com gana
Com força
Sem pudor
Nem razão.

Me deixam desnuda
De clareza, de sentido
De simplicidade
Resta só
Confusão.
Sempre
Eu,
sempre

confusão.

Dos abismos de nós

Dos abismos de nós

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