Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Notas sobre insistências e a amizade

– Quase relapso (escreve o garoto)
Ela sorri, enquanto lê num sussurro.
Segundos antes de responder, solta uma gargalhada alta, dessas que ecoam dentro de nós, antes de se libertarem aos brados [até que todos os vizinhos, mais uma vez, a tomem como maluca por rir sozinha assim]. E, finalmente, escreve de volta, o óbvio:
– “Quase”, diz o garoto. Que babaca.
Nem bem leu a réplica dele, ela já declarava:
– Ainda bem que o amor não é esperto. Se assim fosse perderias um dos melhores da tua vida (eu, no caso).
– hahaha.

Nesses momentos, a garota sempre lembrava de um café a toa, em um desses dias que deviam ser banais. Mas eis que banalidade nunca fora o que os regeu, desde que o ímpeto de respondê-la pela primeira vez o acometeu. E antes disso, desde que uma foto (sua preferida), com olhar perdido e cansado a instigou a escrever uma poesia sobre suas não-respostas. E na frugalidade perdida em uma tarde de longa e sincera conversa, esse mesmo garoto proferiu audivelmente, dando a pauta por encerrada: obrigado por não ter desistido de mim.

Dizem por aí que ele saca o [péssimo] humor dela pelo teor de rabugice dos caracteres de um compacto twitter. Como também há relatos de que ela percebe em nuances mínimas das músicas que ele escuta, o que se passa naquele confuso (sim senhor! bem confuso…) modo de lidar com os sentimentos. 
É fato que ela as vezes se cansava dos períodos de silêncio impostos pelo rapaz. Um babaca, dizia ela sempre [e embora negasse de pé junto, era complacente o suficiente nessas situações, no fundo ela sempre soube aguardar os tempos de fala necessários de cada um – especialmente quando ela sabe que vale a pena. E ele valia].
Ele ria ao ser chamado de babaca, toda vez e fingia achar ruim em exclamações e feições de falsa tristeza. [talvez devolvesse, como uma gentileza, a complacência com uma paciência rara, por saber da ansiedade sinestésica da garota – e ele era especialista em captar detalhes fantásticos das pessoas e transformar isso em arte, ou amizade… Especialmente quando valia a pena. E ela valia]. 
Quem liga? A amizade e o gostar nunca andaram ao lado da sanidade [e ambos sabiam disso…].
"Vi e lembrei de ti" : )

“Vi e lembrei de ti”
: )

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3 opiniões sobre “Notas sobre insistências e a amizade

  1. Adorei. És certamente, a partir de agora, o meu preferido entre todos os seus.
    Te amo!

    • Pensando Palavras Ao Vento em disse:

      Cacá, que bom que gostaste!!! 🙂
      sempre um prazer saber que uma amiga – e escritora – como tu se agrada do que faço! ❤
      Te amo de volta. Beijo

  2. Pensando Palavras Ao Vento em disse:

    Republicou isso em Palavras ao Ventoe comentado:

    Retrospectiva 2015:
    Tem sempre aquele ser cujo diálogo resulta em escritos… Ainda bem que o amor não é esperto [mas é paciente, quando vale a pena… E essa amizade vale 😉 ]
    Notas sobre uma insistente amizade…

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