Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Arquivo para o mês “setembro, 2016”

Não sou fome

Não sou fome
que, fugaz,
se nutre e satisfaz
finaliza ímpetos

sou mais, voraz,
salivo no menor sinal
de tua pele, teu cheiro, teu gosto
insacio-me com deleite

habito teu suave descanso
enquanto teu sorridente silêncio
se apresenta, extasiado
respira, desaba, abraça

entrelaça: nós em si
pele que se confunde em suor
de novo, mais uma vez,
ávido torpor

não sou fome
sou vontade de comer

8-copy

Narrativas e madrugadas

Dizem que ela, antes que pudesse perceber, alongava conversas durante a madrugada falando de divisão celular, explicando situações e motivos para compreender aquilo que a encantava. Em outros momentos, devaneava sobre idealizações futurísticas de Asimov, suas problematizações acerca de como a sociedade leria cada vez menos e automatizaria o aprendizado (como o primeiro conto de os Nove Amanhãs), ou como as previsões da psicologia estatística se vinculam ao período histórico em que foram escritas, sorrindo sem querer entre os devaneios e mostrando seu lado mais incontidamente nerd.

Ao que o garoto replicava, após escutar em silêncio os devaneios da menina, várias vezes: você é a pessoa mais nerd que eu conheço! E ele? Quando falava, interrompia a narrativa para respirar – pois ele, ao falar de si, sempre prendia a respiração e ficava levemente ofegante. Marcas de uma ansiedade rodeada de pensamentos constantes – eu penso demais, costuma afirmar como mantra. Em conversas madrugada a dentro, cita leituras da dramaturgia mais desconhecida (para a garota, claro…), explica as relações políticas, construções das personagens, esse mundo que é distante e, ao mesmo tempo, tão comum e bonito. Entremeado de suas histórias, cita Clarice, de forma simples – como se simples fosse: A grande tarefa é ir até o fim.

Cada um tem o inesperado que merece – isso ambos sabiam…2016-09-14-16-05-45

Poesia de dicionário

As rosas são vermelhas
As violetas são azuis
essa poesia clichê
sem rima, se assemelha
Je ne sais pas qui je suis
(uma constância sem você)

Rosas são libertas
violetas irrompem em cor
catártico é o escrito
que com rima, flerta
na busca de tom, com sabor
para o afago fortuito

2014-09-08 00.07.12

Diálogos (não) inventados

Em meio a conversas aleatórias sobre admiração e respeito, os significados das palavras parecem encantar. Empatia, por exemplo…

Sabe? Aquilo que anda faltando na vida mais miúda cotidiana? Em momentos de singular desprentenciosidade a tal da empatia ganha atenção por ser rara e, quando mencionada, parece pairar com um ar de alívio daqueles que se sentem sufocados por perceberem o outro como sujeito.

Enquanto a conversa desenrolava, suave, além de empatia surgem pitadas de sarcasmo e ironia apontando uma sagacidade incomum naquele garoto…
– Estilos de vida que tenho um apreço grande – disse ele…

Em meio aos compromissos diários, às urgências da rotina, despediram-se declarando a necessidade de continuar a conversa, em vontade recíproca (outra palavra que aparentemente ambos encantam-se), a fim de abordar os significados de palavras interessantes, dentre outras bobagens (sérias ou não):

– Ai de você se não me der essa oportunidade de seguirmos a conversa…

Tendo em vista os horários na agenda, mil e-mails pendentes e compromissos inutilmente vividos mas inevitavelmente irrevogáveis, envolta em pensamentos, ela deixa escapar, em voz alta:

– É. Ai de mim se eu não me der essa oportunidade de seguirmos a conversa…

20141003

Vem aqui que te explico…

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