Palavras ao Vento

penso, logo escrevo!

Arquivo para a categoria “Inconformidade”

Aconteça

Aquiete
Amanhãs,
Agora
Apenas
Arquitete
Ampla
Atmosfera
Agitada
Alvoroço
Ante
Aspereza
Ardente:
Aconteça,
Apenas

rua-18

[Vaziedades]

Vazio contemporâneo:
saber da dor alheia e clamar a atenção para si
demolir pouco a pouco, o carinho construído
inflingindo falta de sensatez
estranha mania dos adultos, humanos
de escarafunchar solidão, impondo intolerante egoísmo.
Olha no outro e vê espelho, usa a imagem para engrandecer a si

Eu, eu, eu…
loucura narcísica
que cega e impede
o sentir.

Narcissus-Caravaggio_(1594-96)

[Narciso, de Caravaggio]

Vou deixar de ser…

vou desistir da vida de vadia, virar amélia do lar
limpar a poeira daquele velho sofá no coração
chamar o moço, aquele lá, bem vestido
emprego importante, automóvel do ano
que paga conta, abre a porta, é gentil
é polido e admira o recato da mocinha
moço de bem, marido honesto
lê jornal, na hora do café
elogia a janta, feita com esmero
enquanto pensa na sobremesa
dorme ruidosamente
enquanto a noite chega e a vida passa
[seculares segundos, até o amanhecer]
acorda logo cedo, junto com o sol
enquanto entedia a vida da esposinha

[suspiro]
não adianta!
sem sexo, sem nexo
não tem dia a dia
na tua poesia

deixa esse moço enfadonho, tu gostas mesmo é do turbilhão
deixa a conta na mesa – dividida na graça, na leveza, na risada
deixa o carro fechado – caminha na luz da lua, no frescor da rua
deixa o sofá rasgar – o conforto é de deitar no chão gelado e trombar em parede
deixa a janta esfriar – o bom mesmo é matar fome de pele, na mordida, sem pudor
deixa a noite chegar e o dia amanhecer – segundos existem para o suor, a saliva, o sabor
dormir?
só quando a exaustão se instalar, até o cansaço passar
dorme ruidosamente
enquanto o dia chega e a noite se esvai
acorda com o sorriso preguiçoso
com segundos que passam lentos,
só para sorrir de novo e a pele urrar por mais
enquanto a vida não sacia, vadia

[suspiro]
não adianta!
não tem vadia
sem poesia

9 copy

[sobre deixar de ser vadia: dia da mentira

Ciranda #ocupaescola

Eles querem é te incluir na roda
fazer a ciranda girar e girar
cantar enquanto te param na rua
estancam tua vida por horas e horas
param tudo o que faz a rotina rodar [parada]

PARA TUDO e vai com eles rodar
S E M P A R A R

Eles querem é te incluir na roda
sentam na avenida, organizam a pauta
habitam a rua, remontam a vida
que deixamos passar
que esquecemos lá atrás!
Te liberta dessa mesmice
Te permite fazer parte da roda
que essa rua também é tua
e ela estanca é para continuar
Te permite aprender
Eles querem nos incluir…
OCUPAM e nos ensinam:
Como é que se apanha e segue na luta
Como é que se para uma cidade
Sentando na avenida
dormindo no chão
Chorando no ar da pimenta
Enfrentando batalhão

Reorganização? SIM:
do nosso parco
cotidiano
que todo dia
faz tudo sempre igual
estanca
esmaga
esmorece
não
permite
respirar!

#ocupaescola
E nos ensina: a viver

Foto retirada de: http://goo.gl/Xn0eOi

Foto retirada de:
http://goo.gl/Xn0eOi

Foto retirada de: http://goo.gl/uWxE98

Foto retirada de:
http://goo.gl/uWxE98

Sou Ana [até amanhã]

Habitam em mim várias em um mesmo corpo. Habitam sem disputar espaço, vivem numa deliciosa confusão, às vezes harmônica, às vezes na luta. Quase sempre amam a mesma pessoa, em momentos diferentes do dia e da noite… Todavia, quase sempre amam várias pessoas diferentes, nos mesmos momentos do dia e da noite…
O que as dilacera é essa crescente mania de todos em ditar o que, como e onde [mas nunca o porquê] dizer, vestir, sentar, pensar, viver. Dilacera, mas une… Ah! Essa inconformidade com as crescentes manias de um mundo que não tolera.
Mas há aquilo que é comum a cada habitante de mim… o amor: à arte, à fotografia, à escrita, à cultura, ao café, ao cafuné…
Há, também, o que me faça diferente em detalhes minúsculos e minuciosamente descalculados e desajustados… A tal da confusão.
Multiplicidades do ser, multiplicidade do estar…
Aninha, Anénha, Pequena, Little, Baixinha… Sou Ana das loucas, até amanhã, sou Ana! Depois, quem saberá?
Sou Ana copy
P.S.: Ah, sim: a tal da confusão, no auge dos embates, todas as minhas várias gostam de Chico Buarque. E acham que a vida faz mais sentindo quando escutamos suas músicas…

Contramão

desatino
destino
insano
deixado
de lado
no inverso
do nexo
atropela
o óbvio
a verdade
que mata
trucida
ignora
o pobre
inexistente
na bolha
estúpida
da vida
furtacor

vomita
cristalina
gana
aversão
ao avesso
narcísico
vazio
de sentido
de razão
voraz razão
por pura
ojeriza
ao feio
e pobre
dispensável
em tua bolha
vida
furtacor

instala
o golpe
aplaudindo
aos brados
achando
bonito
apanhar
enquanto
no fundo
(bem no fundo)
pensas (pensas?)
que bates.

Golpe. Duro golpe.
Surrupiado aos urros
enquanto gritas gol
colore livros
ri da piada
e te acha oposição
seja esmagado quieto…
pois achas que o inimigo
tem 16 e anda de pé sujo
tem cor, cheiro, e nenhum status,
gene podre, pouco mérito
não batalhou
luta e vocifera contra o menor
e deixa instalar o golpe
permite te colocar a coleira
te prender ao pé da mesa
te amansar feito o que és.
SUBMISSO
às verdades inventadas
às insanidades geridas
às demandas ignoradas
deixa-te aprisionar
aplaude teu algoz
pensando ser salvador.
abandona tua voz
teu pensar
teu caminho
larga o país
no rumo do abismo

Eu sigo na contramão
[e espero não estar sozinha]

#Contramão #Golpe

#Contramão
#Golpe

Em tempo: Ser humano?

O que choca não é a mordida de um cão estressado, em meio aos helicópteros, tiros, bombas, gritos, em meio a uma cena de guerra.

O que desestabiliza e nos põe às lágrimas não são depoimentos isolados narrando um tempo de dedicação a um ideal, a um país, a um estado, aos filhos daqueles que batem (e dos que mandam bater).

O que indigna não é o descaso por um futuro e presentes trucidados, por cortes orçamentários de uma vida de trabalho.

O ultrajante não é a falta de vergonha de quem senta em confortáveis cadeiras, votando contra quem os colocou lá naqueles espaços.

O que estarrece não é pagar para ser roubado, para apanhar, para não comer, para adoecer e não ser educado.

O que sangra a alma não é ver navios afundando com gente dentro, por falta de vontade de deixar viver em solo pátrio (ou por medo de multas e prisões se salvarem a “gente” que está dentro).

O que dilacera não é ignorar a agressão a pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays (só por serem pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays) e celebrar mundialmente a escolha do nome real.

A violência está em ver que há conivência pela crença de que isto é um regime democrático, com a liberdade de falas (de todos). A violência é a crença de que existe binarismos simples, existe imparcialidade de comunicação e não somos todos, ao fim e ao cabo, submissos a uma vida que se passa no sofá assistindo à televisão domingo à noite, esperando a segunda-feira começar para o mais do mesmo.

O que choca, desestabiliza, indigna, ultraja, estarrece, violenta, dilacera a carne, a moral, a vida é saber que isso nada mais é do que ser humano.

O que me move é que não sinto isso sozinha e ao nadar contra essa correnteza de ódio e descaso, vejo outros comigo.

#SerHumano #Oque

#SerHumano
#Oque

(todas as imagens foram retiradas da internet)

Ingerências do Corpo: Prezados Senhores, uma resposta

“Não te estupro, pois tu não mereces” – Bolsanaro, 2014.

Prezados, 

Eu me deleito, pois eu mereço
Eu gozo, gargalho, grito, gozo de novo
E este corpo, não precisa de ti, para o gozo.
Nem da autorização do Estado
Ou da gerência de um homem
Só, somente só, da vontade da minha pele
Para o riso, o prazer, a volúpia
Minha, para mim, sobre mim,
sobre (a) minha pele, com minha pele,
Pelo sabor do meu corpo
Pelo meu suor, com vontade, sozinha
Ou acompanhada, quando eu quiser
E por, sempre, merecer
Minha festa, com dedo, língua e suor
E festa, muita festa.

Mas estupro, caros senhores, não mereço.
Nem eu, nem ninguém. Nem, perceba
no auge de vossas intenções de gerência
sobre o corpo e prazer alheios, vocês.
Sobre os corpos das mulheres, a força – e muita força
Só entra quando nosso querer mandar.

#MinhaFesta #MinhaVontade #MinhaPele

#MinhaFesta
#MinhaVontade
#MinhaPele

Roda a saia, menina, e ama

Roda a saia, pequena
E deixa, e sente, e sorri
Aguarda a tormenta passar
E virar brisa suave

Roda a saia menina!
E pula, e grita, e canta
Canta desafinada
Mas segura de si
Do que ama, do que sabe
Do que vive e vibra
Segure-se, baixinha, na ventania
E roda, e anuvia, e aguenta a tormenta

Roda a saia, linda, louca e plena
E suspira, por saber
Que na luta miúda buscamos
O respeito, por mim e por ti
Conquista diária na fala articulada,

No cotidiano suado, sempre
De cabeça erguida, sem subserviência
Eu sei meu lugar. E rodo a saia
E choro o pesar, e celebro o dia
O amar, o viver o dançar.
Danço meu prazer.
Danço minha música
Canto voracidade.

Roda a saia menina
Dança e canta, que amar é mais
E raiva se combate é na minúcia
Na felicidade, destilando alegria
E eu sei meu lugar.
E eu sei que é só o começo do embate
E eu sei dos gritos de ódio, de rancor.
Escuto aqui, ao meu lado, na rua,
Eu sei, eu sinto, eu vejo
E entristeço, todos os dias
Mas sigo, amo e respeito
Todos os dias

E para cada um que duvidar
E para cada um que desafiar
E para cada um que debochar
Meu mais profundo e sincero amor
Desacatado, vadio, insano: amor
Pois eu, meu bem, sigo na luta
Gritando. E meu grito é por mim
Mas é também por ti. Tua raiva
Não passará. Teus brados eu escuto
E deixo a tormenta formar, e anuviar
Até a brisa suave chegar
E instalar a calmaria vinda do embate
E aí? Danço, rodo a saia, canto
Sem nunca cansar

Meu mundo (por mim, por outros)

Vomita a indignação
Das possibilidades de vida
De uma política ensandecida
Da falta de inspiração
Pelo cansaço do discurso
Fadado à constância
Fardado para a luta

Brado, grito, choro, pulo
Mas não, não silencio!
Meu mundo é do ruído
Minha gana é por um mundo
Que é de Anas, de Marias, de Miwas
De Pedros, de Carlos, de Joãos,
De Rosas, Margaridas, Lírios e Ipês
De uns, de outros, de todos
Que lutam ao lado ou não

Minha gana é pelo mundo
Meu voto é meu, e é por ti
por nós, por todos. É meu, é público
Dedicado e interessado. Declarado
Mas crítico e não cego. Pronto para seguir
No murro, na luta e nunca parar

Só subo no muro se for para ver
Mais longe e buscar mais mundo
Mais gente com vontade, insanidade
Mais fôlego de te perceber, também,
Com gana, de mais querer.

8672515880_7b6dac4ed9_o

Navegação de Posts

Caderninho de Ideias

Pra escrever o que eu acho sobre tudo que gosto!

TROVANDO ideias

TROVANDO ideias

cozinha pra machos

todo mundo pode cozinhar

Escreva Lola Escreva

penso, logo escrevo!

Ecce Medicus

penso, logo escrevo!

Blog do Sakamoto

penso, logo escrevo!

%d blogueiros gostam disto: