Notas não aleatórias

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Sobre sentir (o tempo e o deleite)

E em meio a uma conversa, ela proclama:
Não te satisfaças com um cara que queira te fazer gozar. Não que isso não seja fundamental! É que não tem que ser uma obrigação para ele, sabe? Queira um cara que se divirta absurdamente com teu corpo, por puro deleite dele: mas com o TEU corpo… Meter é o corpo dele. Usar teu corpo inteiro, com o corpo inteiro dele, é o teu corpo!

É que ela descobriu, depois de um tempo, que o gostar daquele menino era sincero, mas não era por ela. Aliás, não é por ninguém, é um gostar à toa. Aquele menino parecia ter prazer na permanência de incontáveis momentos se divertindo, apenas. Não que não fosse especial, o que ela não sabia era se outras mulheres se davam conta do quão especial era aquele tempo dedicado (seja algumas horas, um dia, uma semana). Um tempo em que sua pele, seu corpo, cada detalhe seu, era vontade, capricho, propósito e intenção. Um tempo de um desejo simples, de deleitar-se pelo olhar que se perdia em curvas de lençóis e de seu corpo. Um tempo de admirar sem preocupar-se com os segundos que se perdem vagarosos. Um tempo de fazer sorrir exatamente por tomar tempo sendo egoísta – o prazer de si, no corpo do outro, sabe?
Não?
Pois ela sabia e tinha um orgulho imenso (e silencioso) deste saber.

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ela sabia: o que a pele pede

Contos da madrugada

Este conto é baseado naquelas convivências malucas que temos nessa vida, de momentos simples que se tornam grandes (e engraçadas) lembranças!

Volta e meia em nossa vida, precisamos realizar trabalhos fora de nossa cidade. Como se isso, em si, já não fosse desorganizador o suficiente do andamento do semestre, do andamento de nossa rotina, ainda temos outros percalços nestas idas e vindas…
Um dos acontecimentos normalmente “acoplados” a estas tarefas de viajar a trabalho é ter que dividir quartos com pessoas que não conhecemos, ou conhecemos pouco. Nunca tive experiências ruins relacionadas a isso. Mas é preciso reconhecer que há sempre uma boa dose de desconforto inicial, quando não dividimos quartos de hotel com amigas próximas, aquela noção mínima de etiqueta e higiene coletiva, será que nossas colegas conhecem? Suspiro… E agora? E agora?
Nunca me surpreendi, nem me arrependi. E neste final de semana não foi diferente. A fim de tornar mais em conta nossa estadia em uma cidade que ninguém estava com muita vontade de permanecer, dividimos o quarto em quatro meninas. Tudo certo, estes encontros normalmente são seguidos de conversas engraçadas, fofocas comuns, risadas estrondosas… Aqueles momentos em que ainda não se conhece as pessoas muito bem, mas também não somos meras desconhecidas, acabamos sempre tendo do que falar e coisas boas para dizer e rir.
Mas a viagem foi pesada, cansativa. Mal chegamos pela manhã e nos direcionamos direto ao espaço de trabalho. Conforme a noite vai chegando, mesmo com a conversa rolando solta, vão aquietando-se as vozes…
E assim, no meio do papo uma adormece… Outra dá boa noite… Eu e a outra professora seguimos conversando mais um pouco até que também nos despedimos.
Uma noite tranquila de sono, depois de uma viagem cansativa e longa, nos esperava. Nem mais um som paira no ar, a paz toma conta de cada segundo e tudo parece que assim permanecerá até o dia raiar…

Eis que:
ESSA CAIXA! PEGA ESSA CAIXA!!! – um grito forte irrompe o ar.
Acordo sobressaltada, sem saber direito onde estou e pensando: quem é esta, que caixa é essa?? Que horas seria? O que mesmo estava acontecendo?
E eis que vem uma resposta:
O QUÊ? O QUE ESTÁS FALANDO? O QUE É QUE ESTÁS FALANDO? – outro grito interrompendo a paz da madrugada…
Para este segundo grito, a resposta vem miudinha, com um som quase infantil e triste:
– Eu não sei, eu não sei o que estou falando!

Pronto, a paz volta a reinar no mundo de Morpheus. Consigo dormir novamente (mas ainda não sei que caixa tínhamos que pegar).

Update da história: no outro dia, quando acordamos, sem querer ainda tocar no assunto e tentando entender o que aconteceu, escutamos: Certo que falei esta noite né? Tenho a impressão de que falei hoje de noite.
Sério? Nem notamos também! 😀

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