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Ao som de uma Rabeca: memórias

ressoando na sala,
riso e deleite,
alegria e harmonia,
dor e pezar
leveza de um narrar
memórias de uma Rabeca

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Poesia feita a partir do espetáculo: Memórias de uma Rabeca, da Cia. Mundu Roda

Sobre Cultura do Estupro: precisamos falar

Cultura: não como o ápice do melhor já feito e produzido pelo ser humano.
Ao falar em “cultura do estupro“, a palavra cultura refere-se aí àquelas práticas cotidianas que não apenas formalizam a violência do estupro em si, mas que possibilitam que esta seja executada cotidianamente e a reforçam como natural de um ser sobre outro.
A cultura do estupro, meus caros, é legitimada por cada assédio e abuso moral, físico, psicológico, sexual entre um ser humano [comumente homens] e outro [comumente mulheres]. E a cada aceitação disso – por mulheres e homens. Ou mais que aceitação: banalização, silenciamento, produção de piadas e compreensão de que este “costume” nos modos de falar e agir do homem como agressor se dá por sua “natureza”, e da mulher como vítima se dá por uma “procura” pela agressão (ou afeição à mesma).
Cultura do estupro é o que faz, cotidianamente, mulheres terem receio de passar por homens na rua – sejam eles quais forem. Não é só o medo de ser violada cotidianamente – é o medo de ouvir, de novo e repetidamente, as mais insanas verborragias sobre nosso corpo e como ele poderia ser usado [repito: cotidianamente] por puro deleite do homem – sem que nosso corpo seja considerado nosso, nossas vontades nossas, nossas ideias de como usarmos NOSSO corpo e nosso prazer.
Cultura do estupro é dizer que vivemos cotidianamente SIM sob égide de um padrão cultural que mesmo frente à evidência tácita de violência, questiona-se o ato e se banaliza o corpo e a alma usurpada. Cultura do estupro é ouvir de alguém, como piada, que é gênio deixar uma mulher bêbada para transar com ela. Cultura do estupro é achar que uma menina com filho é puta e isso justifica dopá-la e transformá-la num túnel. Cultura do estupro é achar que por uma mulher gostar de sexo grupal, 30 homens podem usar o corpo dessa mulher sem seu consentimento. Cultura do estupro é a piada e o escárnio cotidiano. Cultura do estupro é o homem se sentir vítima por nós, mulheres, termos medo de sermos vítimas.

Cultura do estupro é o que vivemos SIM! Não minorize a luta desprezando o que se diz de CULTURA – como aquilo que é “o melhor produzido pelo ser humano”. Cultura é prática, cultura é cotidiano, cultura é o que produz e como produz um país.
Produzimos SIM homens e mulheres que não se solidarizam com a dor de uma violação corporal, produzimos SIM o medo de mulheres frente a homens, produzimos SIM a banalização do corpo da mulher, produzimos SIM a legitimidade do homem usar e abusar, violentando nosso corpo, nossos ouvidos, nossa rotina diária. Não minorize isso.

E homens, por favor, ao invés de assombrar-se com o fato de que você ~não é todo homem que~, assombre-se com o fato de que nós, mulheres ~todas nós~ já sofremos com isso. Assombre-se por fazer parte de um grupo que causa medo e lute contra isso entre teus amigos, familiares, filhos, pai, tios, primos. Pare de se vitimizar e compreenda o que é uma CULTURA que permite que você seja visto assim: todos os dias.

Não são monstros que estupram: são homens, SIM.
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Sobre cultura, mate e sabor

Yo no tengo en el amor
quien me venga con querellas,
como esas aves tan bellas
que saltan de rama en rama-
yo hago en el trébol mi cama
y me cubren las estrellas.
(Martín Fierro, poema de José Hernández)

Cultura: prática cotidiana, significados construídos na rotina, na miudeza dos atos, no som da voz, nas cores do dia e da noite, na vontade de viver, fazer, sorrir, chorar. Vivência da música, do gostar, do conhecer… Práticas de família, de um povo…

Do meu povo? Aprendi a beleza de uma música que ecoa feitos e trejeitos, o sabor da carne nos finais de semana e, também, a conversa ao redor da bebida amarga: o chimarrão! Que aquece o coração, ameniza dores, compartilha tradições, momentos de parar e contemplar a simplicidade da companhia.

Os escritos de hoje vem de uma cultura, uma vontade de cultura, de repartir um pedacinho do que sou e o que admiro: um curtir e contemplar o tempo.

A erva-mate, Matín Fierro, forte, pura folha, amarga, minha favorita. Eu costumo dizer que de doce basta eu e de suave, a vida. Meu mate prefiro forte e amargo… Na literatura El Gaucho Martín Fierro (poesia argentina de José Hernández) representa esse povo, que saiu de uma vida de clandestinidade para virar símbolo de uma tradição, um homem com algo de terno, algo de rude, simples e que luta pela liberdade. De bombacha, cavalo e faca (e o mate amargo…).

Por hoje, é isso. : )

#ChimarrãoÉCultura #Companhia #MartínFierro

#ChimarrãoÉCultura
#Companhia
#MartínFierro

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