Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

Arquivo para a tag “Pele”

Ceci n’est pas une invitation

Minha pele desnuda
que desfila pelo lar
de um lado, para outro lado
retorna, roda, dança um tanto
como se os segundos fosse eternos
e o tempo percorresse sob meu controle…

Meu corpo, andarilho
fonte e residência de mim
que anseia por prazeres inúmeros
do tato, do olfato, do paladar
de si mesmo, quanto de tantos outros
meu corpo que ama, intenso
goza às gargalhadas
aguarda o afago sincero
e a ardente vontade
[língua, dentes, pau, corpo todo]

Mas é isso?
meus dias vividos nesse corpo
líricos momentos, palavras soltas
planejamentos, estudo, foto na pesquisa
na sala de aula, no livro, na formação

Minha poesia, imbuída de tesão
incompletudes, êxtase, imaginação
minha poesia, carregada de paixão
saudade, carinho, coloridas calmarias
minha poesia, permeada de lutas, trabalho, voracidade
tempos de embates, políticas, insana ansiedade

Minha pele, minha residência, meus dias
meu tesão, meu trabalho, meu amor, minha disputa
o que me ocupa e habita, me pertence, meu eu, em verso
Eu, intenso universo em corpo controverso
Meu, em mim.

A pele clama
o suor prolifera
os olhos anseiam
os dentes aguardam
A saliva deseja
o sabor do pulsar
Mas um pulsar que não é o teu…

E o que é teu,
claro e límpido como deve ser: não cabe aqui.
Isto, meu prezado: não é um convite.

Ah… o discurso carregado das palavras!
Do ‘me fode com força e me deixe o hematoma de lembrança’
ao pedido da singela companhia até o despertar
tempo e intensidade

Do educado e desinteressado ‘bom dia’
ao sussurrado ‘quero teu corpo contorcendo-se de prazer’
espaços que podem ser habitados

Do rolê casual no bar, cerveja e risadas com a geral
ao café em minha cama ao despertar
um mundo de acontecimentos milimetricamente calculados

Desta foto [ou outra qualquer] com legenda boba publicada,
à tua vontade a mim indigesta, anonimamente declarada
um poço de transgressão, da tua óbvia falta de noção…

Afirmo, prezado transeunte,
teu desejo não é meu presente
teu pau não é meu deleite
minha cama não é teu leito
meu corpo não é teu convite

ceci-nest-pas-une-invitation

ceci n’est pas une invitation

 

 

Não sou fome

Não sou fome
que, fugaz,
se nutre e satisfaz
finaliza ímpetos

sou mais, voraz,
salivo no menor sinal
de tua pele, teu cheiro, teu gosto
insacio-me com deleite

habito teu suave descanso
enquanto teu sorridente silêncio
se apresenta, extasiado
respira, desaba, abraça

entrelaça: nós em si
pele que se confunde em suor
de novo, mais uma vez,
ávido torpor

não sou fome
sou vontade de comer

8-copy

Em verso

Em qualquer caderno meu encontro:
saliva, pele, vontade.
Pedaços de falta ou constância
abocanhadas com dentes e garras
Palavras e rascunhos, desejo e silêncio
barba, cafuné e saudade.
Tu em verso
[e só]

2014-12-31 12.14.30

#SóParaOsRaros #Poesia

A simplicidade da menina

A simplicidade, meu caro, nunca foi o que a regeu. Ela sempre buscou aquilo que a encanta, o que arranca a risada mais espontânea e inesperada. Risada esta que reaparece, dias depois, suavemente (naqueles momentos despretensiosos, em que estás caminhando na rua? Sabe como é?).
Só que os encantamentos – dizia ela – são múltiplos e estão espalhados por aí no mundo. Sorriso? Era seu primeiro olhar, o que a fazia parar tudo e prestar atenção com um foco raro (quando a chamam de distraída é por nunca terem visto essa menina observando um sorriso).

Um jeito vadio (ela adora o som dessa palavra: v.a.d.i.o. dita pausadamente, com um sorriso estampado nos lábios), uma conversa boba (mas sincera), elogios estranhos e inesperados
– Nada de chamar de linda!!! Isso é fácil – dizia ela…
Mas: narrar a curva que a costela faz quando ela se deita?
Encantar-se com a implicância de seus pensamentos e devaneios?
Aguardar as palavras narradas à exaustão?
Falar da elegância do vestido e coturnos ao ir na padaria?
Ou, ainda, ressaltar o quanto decotes são comuns: “mas essa tua panturrilha, com esse coturno? Foi a primeira coisa que vi…”?
Um jeito que faz a menina se perder: no sorriso, na pele, na vontade, no diálogo, na mordida, na saliva, no silêncio, no olhar, no cafuné, na barba, no sorriso de novo: prazer, suor, câimbra, gargalhadas, suspiro.
Se encanta por vários, ama-os muito, quer um pouco de cada um
Como se fosse possível misturar cada pedacinho dos amores e prazeres num potinho
(e ela sempre acrescentava pedidos por peles mais rabiscadas – um deleite à parte)
Ela se perde: toda vez.

O problema?
Essa difícil mania da menina…
Ela amava demais, e não tinha medo de declarar o amor. Mas apaixonar?
Só por aquele que ela não compreende, aquela ânsia pelo desafio
E ela seguia sem compreender [portanto]
A simplicidade, meu caro, nunca foi o que a regeu…

eu-12

Tua sede, minha sanidade

Teu sorriso faz encanto
Tua fome é desejo
Tua saliva causa sede
Tua barba é deleite
Teu beijo é vontade

Em quem?

Tua fuga
Teu acaso
tua respiração

[minha (in)sanidade
suspira teu sorriso]

Teu silêncio
Teu melhor som
minha melhor resposta

8 copy

Sobre lembranças fugazes, sobre minha sanidade, sobre tua pele

Atordoa

Retrospectiva 2015: um ano que esta que vos fala amou intensamente a vida, a escrita, o desejo da pele que pedia: pele.
“Atordoa” é um tantinho de 2015 e suas intensidades… não podia ficar de fora 😉

Notas não aleatórias

Andava pela rua
amando sob a lua
agonia de quem cultua
ansiedade da vontade crua
atordoado pelo sabor de tua pele…
n u a
abraço
(Imagem retirada do site:

Ver o post original

O [meu] corpo

Se entrega ao embaraço do abraço

Se perde ao sentir o olhar

Se encanta no tato e no paladar

e busca rotas de fuga

[torcendo para não encontrar]

O corpo sente falta da matéria prima

para escrever a sua poesia

[Alice Ruiz] Sobre o tal do corpo em poesia...

[Alice Ruiz]
Sobre o tal do corpo em poesia…

[Cada pedacinho meu]

Ao demorar nos instantes de teu prazer
Admiro o espontâneo sorriso
Enquanto o deleite de teus detalhes
Me percorre em tua pele, teu gosto:
Tu inteiro (em cada pedacinho meu)

Sobre lembranças fugazes

Sobre lembranças fugazes

Falta ou excesso [teu sorriso]

No fundo, a poesia é sempre sobre a inquietude de quem escreve,
Aquilo que irrompe, forma, deforma, intranquilamente, o pensamento
Já foste inspiração para alguém? A sensação de falta ou de excesso?
Falta e excesso: de si mesmo. Sobre outro alguém.
O instante suave que sentes a ausência e o sabor
Da lembrança pelo café, do abraço ao dormir, do cafuné ao acordar, da barba na pele: prazer.
De me fazer sorrir o teu sorriso.
falta e excesso: o que a pele pede (Foto de Alex Barbã)

falta e excesso: o que a pele pede (foto de Alex Barbão)

Atordoa

Andava pela rua
amando sob a lua
agonia de quem cultua
ansiedade da vontade crua
atordoado pelo sabor de tua pele…
n u a
abraço
(Imagem retirada do site:

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