Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

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Ciranda #ocupaescola

Eles querem é te incluir na roda
fazer a ciranda girar e girar
cantar enquanto te param na rua
estancam tua vida por horas e horas
param tudo o que faz a rotina rodar [parada]

PARA TUDO e vai com eles rodar
S E M P A R A R

Eles querem é te incluir na roda
sentam na avenida, organizam a pauta
habitam a rua, remontam a vida
que deixamos passar
que esquecemos lá atrás!
Te liberta dessa mesmice
Te permite fazer parte da roda
que essa rua também é tua
e ela estanca é para continuar
Te permite aprender
Eles querem nos incluir…
OCUPAM e nos ensinam:
Como é que se apanha e segue na luta
Como é que se para uma cidade
Sentando na avenida
dormindo no chão
Chorando no ar da pimenta
Enfrentando batalhão

Reorganização? SIM:
do nosso parco
cotidiano
que todo dia
faz tudo sempre igual
estanca
esmaga
esmorece
não
permite
respirar!

#ocupaescola
E nos ensina: a viver

Foto retirada de: http://goo.gl/Xn0eOi

Foto retirada de:
http://goo.gl/Xn0eOi

Foto retirada de: http://goo.gl/uWxE98

Foto retirada de:
http://goo.gl/uWxE98

Em tempo: Ser humano?

O que choca não é a mordida de um cão estressado, em meio aos helicópteros, tiros, bombas, gritos, em meio a uma cena de guerra.

O que desestabiliza e nos põe às lágrimas não são depoimentos isolados narrando um tempo de dedicação a um ideal, a um país, a um estado, aos filhos daqueles que batem (e dos que mandam bater).

O que indigna não é o descaso por um futuro e presentes trucidados, por cortes orçamentários de uma vida de trabalho.

O ultrajante não é a falta de vergonha de quem senta em confortáveis cadeiras, votando contra quem os colocou lá naqueles espaços.

O que estarrece não é pagar para ser roubado, para apanhar, para não comer, para adoecer e não ser educado.

O que sangra a alma não é ver navios afundando com gente dentro, por falta de vontade de deixar viver em solo pátrio (ou por medo de multas e prisões se salvarem a “gente” que está dentro).

O que dilacera não é ignorar a agressão a pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays (só por serem pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays) e celebrar mundialmente a escolha do nome real.

A violência está em ver que há conivência pela crença de que isto é um regime democrático, com a liberdade de falas (de todos). A violência é a crença de que existe binarismos simples, existe imparcialidade de comunicação e não somos todos, ao fim e ao cabo, submissos a uma vida que se passa no sofá assistindo à televisão domingo à noite, esperando a segunda-feira começar para o mais do mesmo.

O que choca, desestabiliza, indigna, ultraja, estarrece, violenta, dilacera a carne, a moral, a vida é saber que isso nada mais é do que ser humano.

O que me move é que não sinto isso sozinha e ao nadar contra essa correnteza de ódio e descaso, vejo outros comigo.

#SerHumano #Oque

#SerHumano
#Oque

(todas as imagens foram retiradas da internet)

Que sujeitos-leitores queremos para nossos escritos?

Zaratustra, o mestre protagonista do livro Assim Falou Zaratustra (Nietzsche), vai afirmar a importância de nos tornarmos independente dos ensinamentos recebidos. Como discípulos devemos lutar pela autonomia, pelas nossas ideias, nas palavras dele: “Paga-se mal a um mestre, quando se continua sempre a ser apenas o aluno”. Com isso, o mestre nos aponta que não devemos permanecer seguidores daqueles que nos ensinam, não é isso que anseiam os educadores. Pelo contrário, ensinar é possibilitar caminhar sua própria história. Os discípulos que Zaratustra quer são aqueles que buscam seu trajeto, buscam-se a si mesmos.
Como produtores e divulgadores do conhecimento, nossa tarefa também não se mostra diferente. Tanto como professores, pesquisadores ou escritores, devemos procurar desenvolver nosso trabalho no sentido de propiciar sujeitos-alunos, sujeitos-leitores que tomem nossos dizeres como ponto de partida e não de ancoragem – o espaço que, sim, é seguro, mas sem capacidade de criação.
O autor Jorge Larrosa discute a relação entre educação, os atos de ensinar e a leitura, a partir do filósofo Nietzsche, e defende que “ensinar a ler de outra forma é educar o homem por vir, o homem do futuro. Porém, ensinar a arte da leitura não é transmitir um método, um caminho a seguir, um conjunto de regras práticas mais ou menos gerais e obrigatórias a todos” (p.25). Nesse sentido, a aprendizagem se dá não através de conceitos e práticas/protocolos, prontos, acabados. Não existe aprendizagem fora do pensamento, da reflexão, ou seja, não existem modos de ensinar aos estudantes sem que se leve em consideração em que aquilo que falamos se relaciona com suas vidas. Não para ditar regras, costumes e valores arraigados de nossa ciência e nossa sociedade, mas para que possamos oportunizar novas maneiras de olhar e agir – consigo e com a sociedade. Assim, Larrosa dirá ainda que “a tarefa de formar um leitor é multiplicar suas perspectivas, abrir seus ouvidos, apurar seu olfato, educar seu gosto, sensibilizar seu tato, dar-lhe tempo, formar um caráter livre e intrépido… e fazer da leitura uma aventura. O essencial não é ter um método para ler bem, mas saber ler, isso é: saber rir, saber dançar e saber jogar, saber interiorizar-se jovialmente por territórios inexplorados, saber produzir sentidos novos, múltiplos”. Finalizando, Larrosa dirá que “todos os livros estão para serem lidos e suas leituras possíveis são múltiplas e infinitas; o mundo está para ser lido de outras formas; nós mesmos ainda não fomos lidos” (Larrosa, 2002, p.26-27).
Ainda sobre leitura e conhecimento, podemos nos interrogar qual o significado da palavra “ler”. Constam no dicionário Houaiss os seguintes significados: conhecer, através de exame mais ou menos extenso (o conteúdo de um texto); dedicar-se, entregar-se à leitura como hábito ou paixão; compreender, interpretar.
Interessante, não? A leitura é vista, nos dias de hoje, como algo monótono, chato e desinteressante. No entanto, ao olharmos as palavras a ela atribuídas somos levados a pensar não somente nas letras justapostas, mas ao conhecimento e, melhor ainda, à paixão. Paixão por conhecer, compreender, talvez… Ter como hábito a vontade de saber.
Pensando nessa perspectiva, o monótono, quem sabe, pode ser ficar no mundo, sem essa nova aventura que é a paixão que o conhecimento nos proporciona, os lugares que a compreensão nos leva! Desinteressante passa a ser o hábito de entrevar-se, ao contrário de entregar-se à paixão pelo saber…
E ao tomarmos o ato de ler como interpretação torna-se importante, também, ressaltar seu caráter individual – a nossa leitura do mundo, a visão das coisas que nos cercam, o nosso conhecimento construído a partir dos livros que lemos, as nossas memórias formadas com as palavras dos textos. E, talvez, o mais importante de tudo: os passeios possibilitados pelo conhecimento!
Quem sabe um dia possamos desenvolver o que Mário Quintana nomeou como A arte de ler, ao descrever o leitor que mais o fascinava. Nas palavras do poeta: “O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Nesse momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria”.
E vocês, não gostariam de arriscar?
liberdade

Ser professor: possibilitar outros modos de olhar e agir na sociedade

Hoje não é poesia… É pensamento, retomada de um texto antigo, para todos aqueles que se dedicam às belezas que o saber pode proporcionar. E mais: não se aguentam e precisam compartilhar! Parabéns professores e professoras!

Com o dia do professor aí, tenho pensado no significado dessa profissão e sua importância na sociedade. E é para (e sobre) esses profissionais que me dirijo nessa postagem, que inaugura esse blog!

Escolher essa área de atuação, em nosso país, não é fácil. Ouvi de muitas pessoas, quando fiz essa opção, que não valia a pena. Entre os motivos destaco: o baixo salário, a falta de estrutura das escolas e o desinteresse por parte de alunos, pais e sociedade. Enfim, não se pode afirmar que ser professor é uma tarefa tranqüila (mas alguma é?)! No entanto, penso ser importante ressaltar o quanto aqueles que escolheram esse caminho têm o dever de valorizá-lo.

Ir a uma sala de aula e ensinar tem um sentido mais amplo do que apenas ler livros didáticos (tratado muitas vezes como o “manual prático do professor moderno”, ao invés de “mais um recurso” a ser utilizado), ou resumir os conteúdos da universidade. No dicionário Houaiss, professor é: aquele cuja profissão é dar aulas em escola, colégio ou universidade; docente, mestre; Indivíduo muito versado ou perito em (alguma coisa).

Somente observando esses significados, já teremos subsídios para uma importante discussão: a do professor como intelectual (que é muito versado). Isto é, alguém que é definido como conhecedor de uma área e que passa adiante esse saber.

Ao olharmos a etimologia (estudo da origem das palavras) da palavra professor, encontraremos: o que se dedica a, o que cultiva; manifestar-se; afirmar, assegurar, prometer, protestar, obrigar-se, confessar, mostrar, dar a conhecer, ensinar.

Nesse momento, defendo que ser professor é (ou deveria ser) um ato político, não no sentido partidário, mas como atuante na sociedade, como formadores dedicados de pessoas. Assim, ressalto a nossa importância como formadores que buscam (ou deveriam): assegurar conhecimento às pessoas e protestar contra o modo como o conhecimento (científico e popular) é tratado nos dias atuais.

Em consonância com essa idéia, podemos inferir sobre o significado da palavra “dar”, na expressão “dar aulas” ou “dar a conhecer”, novamente apoiando o argumento no dicionário: oferecer como presente ou brinde a. Desse modo, ser professor mostra-se como mais do que ensinar, é um ato de compartilhar, oferecer (um presente). Mas… Ensinar (ou oferecer) o quê?

Eis aí, nesse debate, a função do professor como intelectual: alguém que, situado na sociedade, busca modos de ação nas problemáticas locais, qualificando o saber cultural com o saber científico – não desconsiderando o saber popular, mas partindo das práticas sociais em que está, relacionando a ciência com a nossa vida e não com conceitos abstratos e distantes de nossa realidade. Nesse sentido, o pedagogo espanhol Jorge Larrosa, no livro Nietsche e a Educação (Ed. Autêntica), afirma que ensinar: “não é transmitir um método, um caminho a seguir, um conjunto de regras práticas mais ou menos gerais e obrigatórias a todos”. Partindo desse pressuposto, mudo a minha pergunta “ensinar o quê?” – que remete a um conjunto de conceitos universais e desvinculados da realidade – para “como ensinar e possibilitar que as pessoas aprendam a agir e a pensar, a partir dos conhecimentos que temos a oferecer?”. Dessa forma, nos remetemos à questão da aprendizagem percebendo-a como algo que não existe fora da reflexão, ou seja, não existem modos de ensinar os estudantes sem que se interrogue sobre como aquilo que falamos na escola se relaciona com suas vidas. Não para mudar ou ditar regras, costumes e valores arraigados de nossa ciência e nossa sociedade, mas para que possamos oportunizar (e a valorização do docente encontra-se nesse ponto) novas maneiras de olhar e agir – consigo e com a sociedade.

liberdade
(imagem de http://bichinhosdejardim.com.br)
*texto originalmente publicado no blog: http://nectar.bio.br/anaarnt

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