Notas não aleatórias

[o acaso da vida existe, a aleatoriedade da escrita: jamais!]

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Sobre Cultura do Estupro: precisamos falar

Cultura: não como o ápice do melhor já feito e produzido pelo ser humano.
Ao falar em “cultura do estupro“, a palavra cultura refere-se aí àquelas práticas cotidianas que não apenas formalizam a violência do estupro em si, mas que possibilitam que esta seja executada cotidianamente e a reforçam como natural de um ser sobre outro.
A cultura do estupro, meus caros, é legitimada por cada assédio e abuso moral, físico, psicológico, sexual entre um ser humano [comumente homens] e outro [comumente mulheres]. E a cada aceitação disso – por mulheres e homens. Ou mais que aceitação: banalização, silenciamento, produção de piadas e compreensão de que este “costume” nos modos de falar e agir do homem como agressor se dá por sua “natureza”, e da mulher como vítima se dá por uma “procura” pela agressão (ou afeição à mesma).
Cultura do estupro é o que faz, cotidianamente, mulheres terem receio de passar por homens na rua – sejam eles quais forem. Não é só o medo de ser violada cotidianamente – é o medo de ouvir, de novo e repetidamente, as mais insanas verborragias sobre nosso corpo e como ele poderia ser usado [repito: cotidianamente] por puro deleite do homem – sem que nosso corpo seja considerado nosso, nossas vontades nossas, nossas ideias de como usarmos NOSSO corpo e nosso prazer.
Cultura do estupro é dizer que vivemos cotidianamente SIM sob égide de um padrão cultural que mesmo frente à evidência tácita de violência, questiona-se o ato e se banaliza o corpo e a alma usurpada. Cultura do estupro é ouvir de alguém, como piada, que é gênio deixar uma mulher bêbada para transar com ela. Cultura do estupro é achar que uma menina com filho é puta e isso justifica dopá-la e transformá-la num túnel. Cultura do estupro é achar que por uma mulher gostar de sexo grupal, 30 homens podem usar o corpo dessa mulher sem seu consentimento. Cultura do estupro é a piada e o escárnio cotidiano. Cultura do estupro é o homem se sentir vítima por nós, mulheres, termos medo de sermos vítimas.

Cultura do estupro é o que vivemos SIM! Não minorize a luta desprezando o que se diz de CULTURA – como aquilo que é “o melhor produzido pelo ser humano”. Cultura é prática, cultura é cotidiano, cultura é o que produz e como produz um país.
Produzimos SIM homens e mulheres que não se solidarizam com a dor de uma violação corporal, produzimos SIM o medo de mulheres frente a homens, produzimos SIM a banalização do corpo da mulher, produzimos SIM a legitimidade do homem usar e abusar, violentando nosso corpo, nossos ouvidos, nossa rotina diária. Não minorize isso.

E homens, por favor, ao invés de assombrar-se com o fato de que você ~não é todo homem que~, assombre-se com o fato de que nós, mulheres ~todas nós~ já sofremos com isso. Assombre-se por fazer parte de um grupo que causa medo e lute contra isso entre teus amigos, familiares, filhos, pai, tios, primos. Pare de se vitimizar e compreenda o que é uma CULTURA que permite que você seja visto assim: todos os dias.

Não são monstros que estupram: são homens, SIM.
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O que é espelho

Soturnamente vivia silêncios
Com palavras regurgitadas na distância,
Proferidas no espaço
Repleto de sentido

Em espasmos rompia a rotina
De palavras e abraços
No ímpeto de respirar
E sentir o [teu] respirar

Eufórico ecoa na sala
Assusta a gata, estala no ar
e se escuta: O grito!
Anuncia o susto de quem procura

[E acha]
a si mesma

Quadrinho de Última Quimera http://ultimaquimera.com.br

Quadrinho de
Última Quimera
http://ultimaquimera.com.br

Contramão

desatino
destino
insano
deixado
de lado
no inverso
do nexo
atropela
o óbvio
a verdade
que mata
trucida
ignora
o pobre
inexistente
na bolha
estúpida
da vida
furtacor

vomita
cristalina
gana
aversão
ao avesso
narcísico
vazio
de sentido
de razão
voraz razão
por pura
ojeriza
ao feio
e pobre
dispensável
em tua bolha
vida
furtacor

instala
o golpe
aplaudindo
aos brados
achando
bonito
apanhar
enquanto
no fundo
(bem no fundo)
pensas (pensas?)
que bates.

Golpe. Duro golpe.
Surrupiado aos urros
enquanto gritas gol
colore livros
ri da piada
e te acha oposição
seja esmagado quieto…
pois achas que o inimigo
tem 16 e anda de pé sujo
tem cor, cheiro, e nenhum status,
gene podre, pouco mérito
não batalhou
luta e vocifera contra o menor
e deixa instalar o golpe
permite te colocar a coleira
te prender ao pé da mesa
te amansar feito o que és.
SUBMISSO
às verdades inventadas
às insanidades geridas
às demandas ignoradas
deixa-te aprisionar
aplaude teu algoz
pensando ser salvador.
abandona tua voz
teu pensar
teu caminho
larga o país
no rumo do abismo

Eu sigo na contramão
[e espero não estar sozinha]

#Contramão #Golpe

#Contramão
#Golpe

Massa crítica

A massa, disforme,
deforma no vagão
sovada pelas curvas
dobra seu tamanho
no mesmo espaço
e espera…
o ponto,
a hora exata
e trabalha
trabalha
trabalha
e espera
a exata hora
do ponto
e volta, como massa
deformada no vagão
exprimida nas ideias
diminuída no tamanho
comprimida no espaço
e, calada, espera
o próximo gol.
Grita.
Bebe um gole
da pilsen
aguada e gelada,
que refresca
a noção
de ser massa.
Gol. Grita. Bebe.
Engole a vontade
de ser mais
que massa
mediana

Crítica é a massa
que aguarda a vida
trem no horário,
passo atrasado
ficar cansado
andar parado
viver no passado
esperar o futuro
sem gozar
o presente
o momento
o sublime
instante
do efêmero.

A massa critica
a crítica da massa
e no outro dia
comprime
de novo
a massa
disforme
deformada
no vagar.

#SomosMassa

#SomosMassa

Em tempo: Ser humano?

O que choca não é a mordida de um cão estressado, em meio aos helicópteros, tiros, bombas, gritos, em meio a uma cena de guerra.

O que desestabiliza e nos põe às lágrimas não são depoimentos isolados narrando um tempo de dedicação a um ideal, a um país, a um estado, aos filhos daqueles que batem (e dos que mandam bater).

O que indigna não é o descaso por um futuro e presentes trucidados, por cortes orçamentários de uma vida de trabalho.

O ultrajante não é a falta de vergonha de quem senta em confortáveis cadeiras, votando contra quem os colocou lá naqueles espaços.

O que estarrece não é pagar para ser roubado, para apanhar, para não comer, para adoecer e não ser educado.

O que sangra a alma não é ver navios afundando com gente dentro, por falta de vontade de deixar viver em solo pátrio (ou por medo de multas e prisões se salvarem a “gente” que está dentro).

O que dilacera não é ignorar a agressão a pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays (só por serem pobres, negros, índios, mulheres, crianças, gays) e celebrar mundialmente a escolha do nome real.

A violência está em ver que há conivência pela crença de que isto é um regime democrático, com a liberdade de falas (de todos). A violência é a crença de que existe binarismos simples, existe imparcialidade de comunicação e não somos todos, ao fim e ao cabo, submissos a uma vida que se passa no sofá assistindo à televisão domingo à noite, esperando a segunda-feira começar para o mais do mesmo.

O que choca, desestabiliza, indigna, ultraja, estarrece, violenta, dilacera a carne, a moral, a vida é saber que isso nada mais é do que ser humano.

O que me move é que não sinto isso sozinha e ao nadar contra essa correnteza de ódio e descaso, vejo outros comigo.

#SerHumano #Oque

#SerHumano
#Oque

(todas as imagens foram retiradas da internet)

Do horror ao amor: tremor

Horror:
Temor
Terror
Tremor
Ter amor

Amor?
Cor
Sabor
Flor
Pendor
Ardor
Suor
Tre-mor
Por favor

a vida não é leviana... <3

a vida não é leviana… ❤

À deriva

Pouco tempo se passou
Entre sorrisos e o adeus
Definições permaneceram
De todas as formas…
Menos definidas

Detesto o fato
De restar apenas as (in)definições
Em um curto espaço de tempo
O que terei eu
Para me agarrar?
O que terei eu
Para ancorar esse coração de papel?
Permaneço à deriva…

Entre expectativas,
Sucessos e frustrações
O Oceano
Meu coração de papel
Se desintegra, em silêncio
Mas hoje nado, sem medo de me afogar
Estou vivo, sou náufrago
E afundei vários dos barcos que embarquei

Me recuso, por inércia
Falta de rumo ou indecisão
A morrer na praia

Permaneço à deriva

Permaneço à deriva

Poesia escrita em conjunto com Phill-it (http://www.facebook.com/phill-itnow)

Das fragilidades

E se eu chorar?
Fragilidade
Fraqueza
Derrota
Sutileza

E se for por amor?
Paixão
Raiva
Suor
Felicidade
Explosão?

Esconde,
Abafa,
Engole:
O grito
A alma
A fome
De viver
De sorrir
De amar.

E se?
Esconde? Ora essa!
Urra tua felicidade
A plenos pulmões!
Sente e vibra
Sensibilidade não é fraqueza
Nem indiferença pura frieza

fragilidade é não tentar... <3

fragilidade é não tentar…

(imagem de http://www.macanudo.com.ar)

 

Sobre cair

Ela olha a ferida, assopra e diz: shiiiii, vai passar. você acredita naquilo como ela acredita piamente em Deus, engole o choro, vai modulando a respiração, olhando as pessoas ao redor, um pouco constrangido pelo tombo, evitando encará-las. aí você levanta limpando com cuidado o joelho, batendo uma mão na outra e segue, resolutamente, sabendo que vai passar, aprendendo onde há um potencial tropeço, prevenindo-se, até que, pá, inesperadamente, você cai de novo e de novo e, por fim, você sabe que o inevitável mesmo é aprender a cair com segurança.

Esta parece que foi encomendada do meu amigo, poeta, escritor, revisor… Tem criança que nasce encantada nas palavras… 😉
Maykson Cardoso
http://conversura.tumblr.com/

Um talvez

E tu desapareces assim…
Sem ler
Sem falar
Sem perceber

Que aguardo em silêncio
Que seguro a voz
Fingindo tranquilidade e quietude.
Comportando um mundo de possibilidades
em um abismo de insensatez!
Esperando um olhar,
um sorriso
um talvez

(escrito em 04/03/2013, mas só fez sentido postar hoje… 🙂 )

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