Palavras ao Vento

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A simplicidade da menina

A simplicidade, meu caro, nunca foi o que a regeu. Ela sempre buscou aquilo que a encanta, o que arranca a risada mais espontânea e inesperada. Risada esta que reaparece, dias depois, suavemente (naqueles momentos despretensiosos, em que estás caminhando na rua? Sabe como é?).
Só que os encantamentos – dizia ela – são múltiplos e estão espalhados por aí no mundo. Sorriso? Era seu primeiro olhar, o que a fazia parar tudo e prestar atenção com um foco raro (quando a chamam de distraída é por nunca terem visto essa menina observando um sorriso).

Um jeito vadio (ela adora o som dessa palavra: v.a.d.i.o. dita pausadamente, com um sorriso estampado nos lábios), uma conversa boba (mas sincera), elogios estranhos e inesperados
– Nada de chamar de linda!!! Isso é fácil – dizia ela…
Mas: narrar a curva que a costela faz quando ela se deita?
Encantar-se com a implicância de seus pensamentos e devaneios?
Aguardar as palavras narradas à exaustão?
Falar da elegância do vestido e coturnos ao ir na padaria?
Ou, ainda, ressaltar o quanto decotes são comuns: “mas essa tua panturrilha, com esse coturno? Foi a primeira coisa que vi…”?
Um jeito que faz a menina se perder: no sorriso, na pele, na vontade, no diálogo, na mordida, na saliva, no silêncio, no olhar, no cafuné, na barba, no sorriso de novo: prazer, suor, câimbra, gargalhadas, suspiro.
Se encanta por vários, ama-os muito, quer um pouco de cada um
Como se fosse possível misturar cada pedacinho dos amores e prazeres num potinho
(e ela sempre acrescentava pedidos por peles mais rabiscadas – um deleite à parte)
Ela se perde: toda vez.

O problema?
Essa difícil mania da menina…
Ela amava demais, e não tinha medo de declarar o amor. Mas apaixonar?
Só por aquele que ela não compreende, aquela ânsia pelo desafio
E ela seguia sem compreender [portanto]
A simplicidade, meu caro, nunca foi o que a regeu…

eu-12

Vou deixar de ser…

vou desistir da vida de vadia, virar amélia do lar
limpar a poeira daquele velho sofá no coração
chamar o moço, aquele lá, bem vestido
emprego importante, automóvel do ano
que paga conta, abre a porta, é gentil
é polido e admira o recato da mocinha
moço de bem, marido honesto
lê jornal, na hora do café
elogia a janta, feita com esmero
enquanto pensa na sobremesa
dorme ruidosamente
enquanto a noite chega e a vida passa
[seculares segundos, até o amanhecer]
acorda logo cedo, junto com o sol
enquanto entedia a vida da esposinha

[suspiro]
não adianta!
sem sexo, sem nexo
não tem dia a dia
na tua poesia

deixa esse moço enfadonho, tu gostas mesmo é do turbilhão
deixa a conta na mesa – dividida na graça, na leveza, na risada
deixa o carro fechado – caminha na luz da lua, no frescor da rua
deixa o sofá rasgar – o conforto é de deitar no chão gelado e trombar em parede
deixa a janta esfriar – o bom mesmo é matar fome de pele, na mordida, sem pudor
deixa a noite chegar e o dia amanhecer – segundos existem para o suor, a saliva, o sabor
dormir?
só quando a exaustão se instalar, até o cansaço passar
dorme ruidosamente
enquanto o dia chega e a noite se esvai
acorda com o sorriso preguiçoso
com segundos que passam lentos,
só para sorrir de novo e a pele urrar por mais
enquanto a vida não sacia, vadia

[suspiro]
não adianta!
não tem vadia
sem poesia

9 copy

[sobre deixar de ser vadia: dia da mentira

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